Fale com o no ar!

Faça parte da nossa linha de transmissão do WhatsApp WhatsApp

Conheça Rebeca Gomes, estudante de Figueiredo que conquistou espaço no cenário internacional

Por Sophia Guimarães | Foto: Arquivo pessoal

Com apenas 17 anos, Rebeca Gomes Lima representa uma nova geração de jovens que unem criatividade, inteligência e determinação em prol de um futuro mais tecnológico, inclusivo e transformador. Nascida em Manaus, mas moradora de Presidente Figueiredo desde os 7 anos, sua trajetória é marcada por referências culturais fortes, estímulo familiar à educação e, sobretudo, um olhar sensível e curioso diante do mundo.

Desde cedo, Rebeca demonstrou interesse por narrativas fantásticas, super-heróis e universos animados. Foi por meio dos clássicos da Barbie, das animações e das longas-metragens da Marvel e DC que começou a desenvolver sua imaginação —que mais tarde se tornaria combustível para escolhas acadêmicas e projetos com alto potencial de impacto social.

“Minha infância foi marcada por desenhos animados, filmes de super-herói e os clássicos da Barbie — acho que esse contato constante com mundos criativos alimentou minha imaginação desde cedo, e até hoje carrego isso comigo. Talvez seja por isso que sou tão nerd em tudo”.

Entre memórias afetivas, uma em especial permanece viva: a construção de um mini-foguete com materiais simples, que encantou seu pai a ponto de virar o papel de parede do tablet da casa. O gesto simples revelou não apenas a criatividade da menina, mas a semente de uma futura cientista.

“Mesmo tendo Barbies e outros brinquedos (que eu também amava), eu ficava encantada com o foguete, porque tinha feito sozinha”.

Filha de professores, Rebeca cresceu em um ambiente onde o conhecimento era prioridade e a educação, um valor essencial. A rotina dos pais — com congressos, viagens e dedicação à sala de aula — foi fonte constante de inspiração.

“Desde pequena via eles viajando, participando de congressos e levando o conhecimento muito a sério e isso despertava meu olhar curioso. Acho que por isso aprendi inglês sozinha aos 8 anos e sempre tive uma visão mais global das coisas”.

Esse olhar aguçado e proativo fez com que ela desenvolvesse, ainda na infância, um senso de responsabilidade afetiva com o outro, como lembra ao citar o nascimento do irmão:

“Acho que foi a primeira vez que senti, em silêncio, um senso real de responsabilidade por alguém”. Embora ainda esteja em processo de escolha sobre sua futura carreira, Rebeca enxerga na tecnologia um campo fértil e multifacetado, onde lógica e criatividade se encontram.

“Eu gosto muito de como a tecnologia e programação envolvem diferentes formas de resolver um mesmo problema e como, além da lógica e matemática por si só, essa área também inclui muita criatividade”.

Foi com esse espírito investigativo que, com incentivo dos pais, optou pelo curso técnico em Desenvolvimento de Sistemas no Instituto Federal do Amazonas (Ifam). A decisão revelou-se certeira.

“Sou uma pessoa totalmente diferente desde que entrei no curso. Acho que isso é tanto por conta do curso, os conhecimentos que ganhei nele e pela instituição em que estou”.

No Ifam, Rebeca mergulhou em projetos de pesquisa e extensão e encontrou, na disciplina de Interação Humano-Computador (IHC), lecionada pela professora Sionise Gomes, uma paixão particular.

“Eu gostei principalmente da abordagem interdisciplinar da matéria e o foco nos sentimentos do usuário, acessibilidade e usabilidade ao utilizar um software”.

Em 2024, Rebeca foi selecionada para o prestigiado programa TechGirls, realizado nos Estados Unidos. Apesar da ansiedade natural de viajar sozinha pela primeira vez, enfrentou os desafios com coragem.

“Eu nunca tinha viajado sem meus pais e agora estava viajando sem eles para outro país”.

Durante o intercâmbio, visitou a NASA Goddard, conversou com pesquisadores e conheceu o estúdio de animação da agência. Entre as experiências mais memoráveis, destaca a visão do Nancy Grace Roman Telescope, ainda em construção. “Foi uma das partes mais marcantes do programa.”

Mais do que um evento técnico, o programa representou uma ampliação de mundo. Rebeca teve contato com meninas de 38 países e territórios, estabelecendo conexões afetivas e culturais que, segundo ela, mudaram sua vida. “Eu aprendi mais sobre outras culturas, religiões e respeito. Hoje, tenho amigas em quase todos os continentes”.

Entre essas amizades, uma se destacou pela força do vínculo construído: Yosr, da Tunísia. “A gente vem de países, continentes, línguas, culturas e religiões diferentes, mas desde o início senti uma conexão muito forte com ela”.

Em 2024, Rebeca atuou como mentora no projeto Manas Makers, uma iniciativa de extensão que ensina mulheres e meninas a produzir acessórios com corte a laser. A experiência foi duplamente especial: além de atuar como mentora, já havia sido aluna do projeto no ano anterior. “Foi uma das primeiras vezes em que pude aprender sobre tecnologia em um ambiente composto somente por mulheres”.

Rebeca também faz parte do Prep Program da Fundação Estudar, um dos mais seletivos do país, voltado à preparação de jovens brasileiros para universidades no exterior. Entre mais de 10 mil candidatos, apenas 0,7% foram aprovados.

“Minha meta é entrar em uma universidade de excelência, seja no Brasil ou fora, e aproveitar ao máximo as oportunidades de pesquisa e extensão que a graduação pode oferecer”.

Interessada por neuroengenharia e pelo cruzamento entre medicina e tecnologia, Rebeca também se inspira em autores como Suzanne Collins, na ficção, e Miguel Nicolelis, na ciência.

“Ele me fez despertar ainda mais o meu interesse em neuroengenharia e como a tecnologia e a medicina podem se integrar e mudar a vida das pessoas”.

Se sua vida virasse uma série, ela imagina um título como Eureka, Garota Descobre o Mundo ou A História de uma Garota Comum, sempre com uma narrativa de aprendizado, ciência e sensibilidade. “Espero fazer uma pesquisa bem legal e que poderia inspirar um filme.”

Rebeca é o retrato de uma juventude inquieta, plural e profundamente comprometida com o futuro. Seu nome já não é apenas promessa: é presença– e ação. Uma jovem figueiredense que pensa o mundo, transforma realidades e inspira quem cruza seu caminho.

*Do Projeto Jovens Comunicadores de Presidente Figueiredo

#biografia #estudantes #figueiredo #amazonas

Oferecimento:
Últimas notícias em Biografia