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Da memória familiar ao cinema: Caio Nobre transforma migração e ancestralidade em curta-metagem

Por: Mayssa Ludmila | Fotos: Caio Nobre

O antropólogo e cineasta paraibano, atualmente residindo em Ariquemes, Caio Nobre Lisboa, de 33 anos, consolida sua trajetória no cinema etnográfico com a realização do curta-metragem Paragens do Poente (2025, 17 min). A obra nasce de um gesto íntimo: revisitar a própria história familiar para compreender os deslocamentos, memórias e afetos que moldaram sua identidade.

Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), na linha de pesquisa Imagens, patrimônios, artes e performances, Caio construiu uma carreira que articula pesquisa acadêmica e produção audiovisual. Com formação em Antropologia Visual e especializações em Ensino de Filosofia e Ciências Sociais e Formação Pedagógica em Ciências Sociais pela UniBF, ele atua como diretor, produtor executivo, editor, editor de som e cinegrafista na Transcendental Filmes e no Coletivo Pé de Figo Filmes.

Ao longo da última década, Caio dirigiu e produziu obras que dialogam com memória, trabalho e espiritualidade, como A música e as bandas no contexto do desfile cívico de Rio Tinto (2016), Memórias Visíveis (2019), Um Filme de Gari: Dois “João” na Correria (2022), Olhares sobre a Morte (2022), O Canto Arikém (2024) e o longa-metragem A Luna Chegou (2025). Em 2026, integra ainda o projeto Falam por aí, atualmente em produção.

Reconhecido academicamente com a Láurea Acadêmica Destaque da Graduação e Diploma de Honra ao Mérito pela UFPB, além do 2º lugar no Prêmio Lévi-Strauss durante a 30ª Reunião Brasileira de Antropologia, Caio também colaborou como diagramador, revisor e parecerista da Áltera – Revista de Antropologia. Paralelamente, desenvolve atividades formativas em eventos como a Mostra Arandu, o Encontro de Antropologia Visual da América Amazônica e o Festival do Filme Etnográfico do Pará.

Memória, migração e pertencimento

Em Paragens do Poente, o cineasta volta sua câmera para a trajetória de uma família preta mineira que, em meados da década de 1970, migrou para o então Território Federal de Rondônia.

A narrativa é conduzida pelas memórias dos irmãos Manuel Antônio Nobre e Palmira Nobre da Costa, que compartilham sonhos, desafios e esperanças de quem atravessou o país em busca de melhores condições de vida.

Segundo o diretor, o filme representa um movimento de reconhecimento e preservação das histórias que atravessam gerações. “É uma forma de reconectar-me com meus patriarcas e matriarcas, valorizando saberes que nem sempre aparecem nos registros oficiais”, afirma.

Produção coletiva e múltiplas linguagens

Com produção executiva do próprio Caio Nobre Lisboa e assistência de Diana Batista Evangelista Monteiro, o projeto é assinado pela Transcendental Filmes. A direção de fotografia ficou a cargo de Jackson de Sousa Fatel, enquanto a direção de arte e as colagens são de Rafaella Sualdini. Patrick Ferreira da Costa atuou como ilustrador principal e designer gráfico.

A equipe reuniu ainda profissionais nas áreas de captação de imagem e som, edição, acessibilidade e comunicação. O filme conta com intérprete e revisão em Libras, audiodescrição roteirizada por José Muniz Falcão Neto e narrada por Negra Mari (Marilsa Santana dos Santos), além de legendagem e revisão específicas, ampliando o alcance da obra.

Com 17 minutos de duração, o curta reafirma o compromisso do diretor com uma antropologia feita por imagens — sensível às narrativas de migração, raça e pertencimento. Ao transformar a memória familiar em cinema, Caio Nobre Lisboa amplia o debate sobre identidade e território, demonstrando que as histórias particulares também são parte fundamental da história coletiva. Tudo isso disponível no Canal Transcendental Filmes.

Dos jovens comunicadores de Ariquemes

#Ariquemes #Rondônia #Cinema

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