Festival de Parintins
Caprichoso brinca seu território na disputa para reconquistar o título do Festival de Parintins
Texto: Alexandre Pequeno | Foto: Raine Luiz

Na disputa para reconquistar o título do Festival de Parintins, o Boi Caprichoso apresentou seu projeto de arena durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta quarta-feira (24/06), no Curral Zeca Xibelão, em Parintins, município localizado a 369 quilômetros de Manaus.
A coletiva contou com a presença de membros da diretoria, itens individuais do bumbá azul e branco e representantes indígenas.
De acordo com o projeto, o brinquedo é arquétipo de sonhos e lutas, amuleto de revolução de quem fez do brincar uma guerra contra tudo aquilo que freia a evolução de um povo.
“O Caprichoso é uma entidade viva, e é assim que a gente o compreende. O boi é salvação, é ponte, caminho, abraço, cura. É muito mais que um objeto; é um símbolo que ganhou uma importância gigante”, afirma Ericky Nakanome, presidente do Conselho de Arte do Caprichoso.

O Caprichoso fechará as três noites de apresentação, conforme definição realizada em sorteio entre os bumbás no último sábado (20/06).
1ª noite: O Brinquedo do Povo Canta: Parintins – O Chão de Origem
Na primeira noite, o Caprichoso canta o seu chão. Não um chão entendido apenas como espaço geográfico, mas um território tecido por memórias, promessas e afetos, marcado pela ancestralidade e pela luta.
Na abertura, a figura típica “O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins” exalta o brincador de boi, expressão humana dos territórios azulados. A lenda “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria” narra a história da poderosa entidade feminina, senhora da encantaria que sustenta a própria existência da ilha de Parintins. Encerrando a noite, o ritual “Wat’amã” retrata o rito de passagem do povo Sateré-Mawé.
2ª noite: O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida
Na segunda noite de apresentação, o Boi Caprichoso canta seu chão ancestral. Canta a Amazônia como um território vivo, habitado por humanos e não humanos, por ancestrais, encantados e espíritos guardiões.
Abrindo a noite, a lenda “Curupira – O Guardião da Vida” apresenta a tradicional narrativa do defensor das matas. Em seguida, a figura típica “Os Pescadores e Pescadoras da Amazônia” homenageia os trabalhadores das águas que banham o chão onde pulsa a tradição do Boi Caprichoso. O ritual de transcendência “Asurini – Maraká” encerra a noite ao apresentar uma concepção ancestral de mundo na qual saúde, equilíbrio e prosperidade dependem da harmonia entre seres humanos, natureza e espiritualidade.
3ª noite: O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – O Chão de Bravos
Encerrando o festival, o Caprichoso estende seu canto para além de Parintins e abraça o Norte do país como extensão desse lugar de encontros, reencontros, saudades, memórias, afetividades, identidade e pertencimento.
A lenda amazônica “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente” apresenta a epopeia do jovem guerreiro Maricá contra grandes criaturas. A figura típica “As Farinheiras da Amazônia” representa a mulher que preserva e transmite os saberes da cultura alimentar de matriz indígena. Finalizando a última noite de apresentações, o Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre retrata a formação do xamã em uma jornada de transformação e acesso ao conhecimento sobrenatural.
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