Cultura
Festival Folclórico de Itapiranga terá dois dias de programação

Foto: Divulgação

Ji-Paraná atravessa a fronteira e chega ao circuito internacional de cinema com “Sussurros na Água”, filme dirigido por Otavio de Sousa e selecionado para o 19º Lust*streifen Film Festival Basel, na Suíça. A obra é o único filme brasileiro no festival e disputa a categoria “Intimacy Competition”, dedicada a produções que exploram diferentes dimensões da intimidade.
Para Otavio, chegar ao festival representa mais do que o reconhecimento de um trabalho específico: é também um sinal da crescente presença de artistas rondonienses em espaços nacionais e internacionais.
“Essas conquistas e reconhecimentos mostram como os artistas e produtores audiovisuais de Rondônia, mesmo com recursos baixíssimos, conseguem contornar as dificuldades de produzir com pouco recurso e desenvolver trabalhos de qualidade”, afirma.
O diretor, no entanto, faz questão de não transformar a falta de investimentos em motivo de celebração. Para ele, a visibilidade alcançada por produções independentes também evidencia o potencial que poderia ser desenvolvido com melhores condições de produção.
“Imagino o que não poderíamos fazer com recursos adequados?”, questiona.
Entre a água e os afetos
Com 11 minutos de duração, “Sussurros na Água” investiga a relação entre dois homens que compartilham momentos de intimidade, mas percebem que, apesar do tempo, o vínculo construído entre eles permanece restrito ao território sexual.
A água conduz parte dessa narrativa. Para o diretor, ela está diretamente relacionada às memórias de infância e à experiência de crescer em Rondônia.
“Eu nasci e cresci aqui. De pé no chão correndo descalço na rua de terra, subindo em árvores, andando no meio da floresta e tomando banho de rio e de chuva”, conta.
A partir dessas memórias, a água se transforma em elemento de acolhimento, mas também em metáfora para a fluidez dos afetos, dos vínculos e das relações contemporâneas.
O filme dialoga com a ideia de “Amor Líquido”, de Zygmunt Bauman, e com o conceito de “intimidade sintética”, discutido pelo psicólogo André Alves.
Uma voz LGBTQIA+ de Rondônia
A seleção internacional também coloca em evidência os desafios de produzir e fazer circular histórias LGBTQIA+ dentro do próprio estado.
Otavio afirma que ainda existe dificuldade para alcançar um público mais amplo com produções que abordam essas vivências.
“Mesmo com as dificuldades de aceitação local, nossas produções e nossas histórias têm espaço e podem encontrar seu público mesmo em outras regiões”, avalia.
Para ele, a participação no festival pode servir de incentivo para outros realizadores LGBTQIA+ de Rondônia e contribuir para ampliar o interesse do público local por histórias produzidas no estado.
“Gosto de pensar que talvez ‘Sussurros na Água’ possa contribuir nesse movimento de gerar interesse no público local para que as pessoas conheçam e assistam trabalhos que tragam as vivências locais da comunidade LGBTQIA+ de Rondônia”, afirma.
*Com informações de assessoria