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Amazonas tem 40 municípios em situação de emergência por conta da estiagem

Da Redação | Foto: Arquivo/ Ricardo Stuckert/PR

A estiagem de 2026 já atingiu 101.084 famílias no Amazonas, segundo dados divulgados pela Defesa Civil estadual no domingo (18/10). O levantamento mostra que 40 municípios estão em situação de emergência, 17 em alerta e cinco em atenção.

Além dos impactos provocados pela redução do nível dos rios, o Amazonas enfrenta ocorrências de incêndios florestais e queimadas. Diante desse cenário, o governo estadual ampliou as operações de combate ao fogo, fiscalização ambiental e monitoramento das áreas afetadas.

Entre as medidas adotadas está a proibição do uso do fogo em todo o território amazonense por 120 dias, conforme decreto estadual publicado em setembro, com exceção das situações permitidas pela legislação.

Dos 62 municípios do Amazonas, 40 foram classificados em situação de emergência devido à estiagem. Entre eles estão: Alvarães, Amaturá, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Ipixuna, Itamarati, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.

Situação de alerta (17 municípios): Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Humaitá, Japurá, Manicoré, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.

Situação de atenção (5 municípios): Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga.

A classificação considera os efeitos da estiagem e orienta as medidas de acompanhamento e resposta das autoridades estaduais.

Amazonas registra mais de 22 mil focos de incêndio combatidos

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) intensificou as operações de prevenção e combate a incêndios em 36 municípios. Aproximadamente 1,5 mil profissionais participam das ações, entre bombeiros militares, brigadistas municipais e agentes federais, com apoio de 96 viaturas.

Entre 1º de junho e 17 de outubro, a corporação contabilizou 3.748 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. No mesmo período, foram combatidos 22.974 focos de incêndio, sendo 4.668 em Manaus e 18.306 no interior.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) também apontam que o Amazonas acumulou 8.165 focos de calor até 18 de outubro. Para reforçar as operações, está previsto o envio de agentes das Forças Armadas e da Força Nacional, além de 153 brigadistas do Programa Floresta em Pé.

A estrutura aérea também deverá ser ampliada de 11 para 16 aeronaves, incluindo aviões Air Tractor, KC-390 e helicópteros.

Queimadas estão proibidas por 120 dias no estado

Como parte das medidas de enfrentamento aos incêndios florestais, o Governo do Amazonas estabeleceu um período de 120 dias de proibição do uso do fogo em todo o estado.

A determinação está prevista no Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro, e mantém as exceções autorizadas por lei.

Outra medida foi a criação do Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas, instituído pelo Decreto nº 55.338, com ações destinadas à redução do desmatamento, das queimadas e da degradação florestal.

O governo também declarou situação de emergência por 180 dias em razão dos efeitos da estiagem, por meio do Decreto nº 55.486, de 21 de setembro.

Já o Decreto nº 55.751, publicado em 10 de outubro, reconheceu a situação de emergência em 36 municípios afetados por incêndios florestais.

As medidas permitem ampliar a mobilização de recursos e as ações de resposta aos desastres ambientais.

Fiscalização ambiental aplica mais de R$ 167 milhões em multas

As ações de fiscalização também foram intensificadas em diferentes regiões do Amazonas.

A Operação Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Operação Amazonas+Verde desenvolve atividades de combate a incêndios em 33 cidades. Já a Operação Alerta Fogo utiliza drones e viaturas com conexão via satélite para identificar o uso irregular do fogo.

Até meados de outubro, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) havia aplicado mais de R$ 167 milhões em multas ambientais e realizado 421 embargos, abrangendo uma área superior a 65 mil hectares.

A Polícia Militar do Amazonas (PMAM) também participa das operações, com aproximadamente 100 policiais do Comando de Policiamento Especializado e 25 viaturas.

No sábado (17/10), 11 pessoas foram presas em Autazes, suspeitas de envolvimento em crimes ambientais.

Na área de investigação, a Polícia Civil registrou, somente em setembro, 66 boletins de ocorrência relacionados a incêndios e 151 referentes a desmatamento.
Governo amplia monitoramento e estrutura de combate aos incêndios
Para acompanhar as áreas de maior risco, os órgãos ambientais utilizam imagens de satélite, drones com câmeras térmicas e equipamentos de transmissão de dados.

Entre as tecnologias empregadas está o Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant Harpia), utilizado no monitoramento ambiental.

O Corpo de Bombeiros também ampliou sua presença no interior do estado, aumentando de 11 para 25 o número de bases permanentes.

As ações incluem atividades de educação ambiental realizadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e órgãos parceiros. Entre junho e agosto de 2026, mais de 43 mil pessoas foram alcançadas pelas iniciativas educativas.

O Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais segue acompanhando a evolução da estiagem e das queimadas, enquanto as equipes estaduais e federais atuam nas regiões afetadas.

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