
Freyzer Andrade: O menino da Floresta que conquistou o mundo
Por Carlos Alexandre |
Foto: Carlos Alexandre / Arquivo Pessoal |
O jovem artista Freyzer Andrade, 33 anos, é um dos grandes exemplos de persistência, de acreditar nos sonhos, de planejar, lutar e realizar. Todos esses verbos sempre foram conjugados com muito trabalho. O menino que tinha como quintal a floresta amazônica, na comunidade da Valéria, zona Rural de Parintins, hoje conhece mais de 95 países e tem seus quadros expostos em grande parte dos lugares por onde já passou.
Sua história começa no porto da comunidade da Valéria recepcionando os turistas estrangeiros que desciam na localidade em luxuosos cruzeiros. Ao apresentar seus quadros com suas pinturas, o menino da floresta logo conquistou os “gringos” do navio Prinsedam da Holland America Lines. Em pouco tempo, foi convidado a ir para a Europa, onde acabou sendo contratado para expor seus quadros no próprio Cruzeiro.
“Depois que surgiu essa oportunidade, fiquei dez anos trabalhando na Europa na compania Holland America. Foi essa companhia que me proporcionou a oportunidade de tornar meu trabalho conhecido, pois expus meu quadros nos navios da companhia e depois recebi autorização para expor nos navios de empresas concorrentes”, conta Andrade.
O curumin que acreditou em seu potencial se tornou o orgulho de sua terra. Ainda menino, fazia a venda de seus quadros. Já aos 17 anos aprendeu inglês e aos 19, espanhol.
“Eu sabia que se eu falasse outros idiomas poderia argumentar, apresentar os preços e vender mais”, conta ele que aprendeu ainda o Alemão e, atualmente, está apreendendo o Francês.
Enquanto ele passava um fim de semana em Parintins, seus quadros estavam em águas internacionais e em vários países da Europa.
“Isso me deixa muito feliz porque não foi fácil como as pessoas podem pensar. Foram 15 anos de muito trabalho intenso em busca de um objetivo principal que era sair da comunidade, visitar outros países, expôr em grandes galerias e conhecer o mundo”, afirma.
Durante 11 anos, Freyzer esteve morando e trabalhando na Europa até tudo parar por conta da pandemia da covid-19.
Um amor chamado boca da Valéria
Mesmo morando e vivendo a vida dos seus sonhos na Europa, Freyzer Andrade jamais abandonou a paixão por sua comunidade e seu objetivo sempre foi sair, conhecer o mundo, aprender e tentar de alguma forma colaborar com sua terra e sua gente.
“Eu sou apaixonado pela Valéria onde é minha casa, onde meus avós moram até hoje. Eu consigo ver um potencial enorme na boca da Valéria. A boca da Valéria é algo ainda a ser explorado apesar das companhias de cruzeiros frequentarem a Valéria há mais de 40 anos, ela ainda está em fase de descoberta porque são muitos os meios de fazer o turismo crescer em uma comunidade rural”, ressalta o artista.
Quando começou a última temporada de visita de navios transatlânticos, em novembro de 2022 e segue até março deste ano, Feyzer preparou os comunitários com orientação de atendimento, fez um mutirão de pintura das casas e ampliou a hospitalidade da localidade na chegada dos turistas.
Frezeyer é um apaixonado por arte e turismo. Nas conversas com sua avó, quando ainda era menino, ele afirmava que iria conhecer o mundo, que ia voltar e ajudar a sua comunidade e ainda construiria um resort na localidade, para receber o mundo no coração da Floresta Amazônica. O resort foi construído durante a pandemia e já está recebendo turistas, mas esse é o tema de uma próxima história.
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