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História do Tilheiro: memórias e tradições contadas pelos moradores mais antigos da comunidade em Manaquiri

Por Maria Lucila | Foto: Adriana Aguiar

A comunidade do Tilheiro, localizada no município de Manaquiri, guarda em suas raízes uma história marcada por tradições, lutas e transformações.

Segundo relatos da matriarca Dona Coração, já falecida, o nome da comunidade surgiu devido a uma antiga fábrica de telhas de barro — o verdadeiro nome era “Telheiro”, mas o modo como os moradores pronunciavam com o som alongado do “i” acabou transformando-o em “Tilheiro”. Entre as primeiras famílias do local estavam os Pucu e os Figueiredo que deram origem ao povoado.

A economia da comunidade sempre foi baseada na pesca e agricultura de subsistência, com estilo de vida simples: casas de madeira cobertas por palha e canoas usadas como principal meio de transporte.

A fé e a cultura também sempre foram pilares fundamentais. Tradições como as novenas e promessas aos santos moldaram a vivência local, destacando-se a promessa cumprida de Dona Coração, que mandou construir uma capela dedicada a São Raimundo após um parto difícil. A partir disso, surgiram festas como a do Sábado de Aleluia, o Arraial de São Raimundo, e celebrações religiosas diversas, além da festa cultural da pesca do Mapará.

Outro capítulo marcante da história da comunidade é a origem do nome do Lado do “Janauacá”, que, conforme relatos repassados de geração em geração, teria sido fruto de um mal-entendido entre indígenas e jornalistas de Manaus durante uma epidemia. Ao serem questionados sobre o nome do lugar, os indígenas teriam respondido “já não há cá mais”, referindo-se à ausência de pessoas devido à doença. A expressão foi interpretada como o nome do Local.

Na década de 1970, um conflito conhecido como “a guerra do peixe” marcou profundamente o Tilheiro e comunidades vizinhas. O conflito surgiu após denúncias de pesca predatória por moradores de fora da comunidade, liderados por Valdir Silva, dono do barco Soberano.

A situação se agravou até culminar em um violento embate no dia 31 de dezembro, com uso de terçados, espingardas e até mortes. O episódio terminou com prisões em massa e ainda hoje é lembrado como um momento de grande tensão e dor.

Apesar dos desafios, Tilheiro segue resistindo. A comunidade tem buscado formas de preservar sua natureza e cultura por meio de projetos escolares que envolvem descarte correto de lixo, educação ambiental e fortalecimento das manifestações culturais locais, como danças e desfiles. No entanto, ainda enfrentam dificuldades como falta de cursos voltados à economia local e limitações na mobilidade durante o período de estiagem dos rios.

Hoje, a luta dos moradores continua na esperança de melhorias, como uma sede própria e novos empreendimentos que beneficiem economicamente a região. O compromisso com o bem-estar coletivo e a preservação das raízes culturais ainda movem a comunidade do Tilheiro.

*Do Projeto Jovens Comunicadores de Manaquiri

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