Festival de Parintins
Manifesto de brasilidade: Caprichoso encerra o Festival exaltando o Norte e confiante no título
Texto: Alexandre Pequeno | Foto: Divulgação

Após exaltar a tradição do Auto do Boi, o bumbá azul encerrou sua apresentação com o Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin, fechando o espetáculo em clima de celebração da cultura amazônica
Buscando reconquistar o título de campeão do Festival de Parintins, o Boi Caprichoso concluiu o projeto de arena “Brinquedo que Canta seu Chão”, no Bumbódromo de Parintins (a 359 quilômetros da capital amazonense), na noite deste domingo (28/06).
O subtema da noite, O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – O Chão de Bravos, estendeu a temática para além de Parintins e abraçando o Norte do país como extensão desse seu lugar de memórias, afetividades, identidade e pertencimento.
A apresentação iniciou com um módulo aéreo trazendo o Boi Caprichoso e o levantador de toadas, Patrick Araújo. Em poucos minutos do início da apresentação, que iniciou às 20h, a arena já estava preenchida pelos grupos de dança e bailado corrido.
A lenda amazônica “Nhaçã Hekã – Macacos comedores de gente”, do artista Gereca Pantoja, mostrou a epopeia do jovem guerreiro Maricá contra os grandes primatas. Da alegoria, surgiu a cunhã Marciele Albuquerque.
A figura típica “As farinheiras da Amazônia”, representando a mulher que preserva e transmite os saberes da cultura alimentar de matriz indígena, trouxe a família da cunhã Marciele, especialmente a mãe, Néia Albuquerque, representando as famílias que se sustentam por meio da farinha.
Auto do boi
A exaltação cultural “O auto do boi brasileiro” trouxe os cantores Edilson Santana e Paula Gomes, como Pai Francisco e Mãe Catirina, numa encenação do auto, acompanhado do amo Caetano Medeiros.
Do módulo alegórico, surgiu a sinhazinha Valentina Cid. Em momento emocionante, a filha do dono da fazenda iniciou sua apresentação com um solo de violino da toada “Leveza de Sinhá”, levando o público ao delírio.
Finalizando a última noite de apresentações, o Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin retratou a formação do xamã em uma jornada de transformação e acesso ao conhecimento sobrenatural. O pajé Erick Beltrão surgiu do módulo central da alegoria do artista Jucelino Ribeiro, e evoluiu com uma pequena onça preta e seus movimentos reais controlados remotamente.
A apresentação encerrou com 2h25min16s aos gritos de “é campeão” da torcida azulada.
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