Biografia
Terezinha Santos: representatividade e força no Concurso de Rainha do Cupuaçu
Por Sophia Guimarães | Foto: Arquivo pessoal

Aos 21 anos, Terezinha Santos, nascida e criada em Presidente Figueiredo, escreve uma nova página na história do Festival do Cupuaçu, não apenas como candidata, mas como símbolo de resistência, representatividade e orgulho amazônida.
Desde pequena, Terezinha se encantava com o brilho do palco da Rainha do Cupuaçu. O olhar de menina se perdia entre os vestidos deslumbrantes, os sorrisos e a imponência das candidatas. Mas no fundo, havia também a dúvida: “será que esse lugar é pra mim?”. A resposta veio com o tempo, costurada com autoestima, consciência racial e o resgate de uma identidade amazônica muitas vezes invisibilizada.
“Esse desejo foi sendo costurado com o tempo, com coragem e com fé”, ela conta. Um processo íntimo, construído com a certeza de que seu corpo, cabelo e história têm lugar naquele palco. “A coragem veio quando entendi que minha presença é resistência. A fé veio da minha ancestralidade, da minha família”.
Ao revisitar a infância, Terezinha lembra de um momento marcante: “Fiquei grudada na grade assistindo o desfile e falei pra minha mãe: ‘um dia vai ser eu.’ Ela sorriu, como quem já sabia.” A frase, dita com ingenuidade, se transformou em guia. Hoje, a mulher que ocupa esse espaço o faz consciente de que não está sozinha. “Sou todas as meninas que ainda duvidam de si. Sou minha avó, minha mãe, minhas raízes”.

A caminhada, no entanto, não foi fácil. Entre silêncios impostos, padrões questionados e olhares de descrédito, ela aprendeu a transformar dor em potência. “Já escutei que eu não era ‘o perfil ideal’, que meu cabelo era ‘exótico demais’. Tive que continuar mesmo assim, me afirmar, erguer a cabeça e dizer: ‘eu posso sim’”.
O empoderamento, para Terezinha, é mais que discurso – é prática cotidiana. É usar o cabelo natural com orgulho. É se escolher, todos os dias.
“Antes eu esperava ser escolhida. Hoje eu me escolho. Entendi que posso ocupar qualquer espaço com dignidade, respeito e beleza, sem me moldar ao que esperam de mim”.
A candidatura, ela afirma com firmeza, é um ato político e cultural. “Ser uma mulher negra, amazônida, no palco principal da festa mais tradicional da cidade é mostrar que a cultura vive na nossa pele, na nossa dança, na nossa presença. É ocupar pra transformar.”
Se eleita Rainha do Cupuaçu, Terezinha deseja ser mais do que imagem – quer ser inspiração. “Quero ser lembrada pela mensagem. Mostrar que a beleza tem muitas formas e que a força da mulher figueiredense é a coisa mais linda que existe.”
Às meninas que ainda duvidam de si, ela deixa um recado direto: “Não desistam de vocês. Mesmo quando o mundo tentar apagar sua luz, lembrem: ela é maior do que qualquer sombra.” E à Terezinha de alguns anos atrás, aquela que sonhava da grade: “Você é suficiente. Você é linda como é. E vai se orgulhar de não ter desistido.”
*Do Projeto Jovens Comunicadores de Presidente Figueiredo
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