Tecnologia
Fonte eterna da juventude: conheça iniciativa de startup que une computação e biotecnologia em Manaus
Por Sérgio Adeodato | Fotos: Sérgio Adeodato

O manauara Edleno Moura, doutor em Computação, é expert em negócios com startups disruptivas, aquelas que rompem paradigmas. Entre outras investidas, criou a Akwan, vendida há vinte anos para o Google, em transação inédita. Sem perder a raiz cabocla, o professor concebeu ideias fora da curva que renderam prestígio e marcaram a trajetória da tecnologia digital no País. Este texto foi publicado na plataforma de conteúdo Ybiá – Rios de Conhecimento.
Não só isso. Além de investidor e sócio em empreendimentos inovadores, o professor do Instituto de Computação (IComp) na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus, finca o pé no ambiente acadêmico como mentor de jovens talentos que seguem igual caminho. E alcançam confortável padrão de vida, hoje com a aposta no casamento entre o mundo digital e a biotecnologia.
“O conhecimento abre oportunidades na Amazônia, em momento incrível da inteligência artificial (IA) para empregos e novos negócios”, afirma Moura, filho de pais órfãos que nas dificuldades viram na educação a melhor alternativa. Foram passos meteóricos. À época do doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1999, o amazonense uniu-se ao professor Nívio Ziviane, pioneiro na criação de startups a partir de projetos com alunos – a exemplo da Metaminer, comparador de preços de grande reconhecimento no mundo, vendido para o UOL.
O objetivo na parceria com o pesquisador mineiro foi colocar no mercado o novíssimo sistema de busca na internet desenvolvido por Moura. Foi criada a startup Akwan (veloz, em tupi-guarani), que atraiu fundos de capital de risco e fez barulho entre gigantes do setor. Em 2005, o negócio foi vendido ao Google, na primeira aquisição da bigtech fora dos Estados Unidos.
Antes do feito, em 2002, Moura já tinha retornado a Manaus como professor da Ufam, onde iria seguir “fabricando” startups. “O salário na universidade representava bem menos do que os ganhos nas empresas, mas segui o insight de novos ventos”, diz.
O período contratual de quarentena com o Google (2005 a 2009), em que não poderia abrir novo negócio concorrente, coincidiu com o pós-doutorado. Logo depois, foi aberta a porteira na “maternidade” de novas startups, como a Neemu, empresa de busca para e-commerce criada em sociedade com professores da Ufam. Entre eles, Altigran Soares da Silva, parceiro de Moura nos negócios inovadores junto a alunos de mestrado e doutorado desde o início da trajetória.
Em cinco anos, a Neemu se tornou uma das maiores do segmento no País, com clientes como Americanas, Submarino, Livraria Cultura e Ricardo Eletro, até ser vendida em 2015 por R$ 55 milhões ao Linx, e desse à Stone. Após a transação, Moura seguiu adiante nas inovações. Estabeleceu parceria com a empresa de cashback Méliuz para montar o braço tecnológico em Manaus. E fundou a Teewa, que usava IA para fazer chatbots, robôs de conversação em plataformas de compras.
Essa, contudo, foi colocada à venda e o time de tecnologia, originário da Ufam, passou a integrar em 2019 o projeto da Jusbrasil – empresa que queria se tornar o “Google do mundo jurídico” por meio da indexação de leis e de toda a jurisprudência no megasite de pesquisa, incluindo interações com ferramentas de IA.
“Nesse ambiente, alunos com histórias de vida difíceis se destacavam no País e no exterior”, enfatiza Moura, que lá atrás no tempo, quando membro do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), havia conhecido o empresário Denis Minev, diretor-presidente do Grupo Bemol, à época secretário estadual desenvolvimento econômico.
“Ele tinha acabado de voltar dos Estados Unidos e me abordou dizendo que o Google tinha comprado uma empresa brasileira. Perguntou: por que não fazemos aqui em Manaus?”, conta o professor do IComp, que então informou ao empresário ter sido ele o autor da façanha.

Olhar na biotecnologia amazônica
Hoje Minev, investidor-anjo de negócios inovadores, tem parceria com Moura e time da Ufam em novo campo de atuação, estratégico para a Amazônia: a união entre computação e biotecnologia. O tema atraiu o filho do professor, Lucas Saraiva de Moura, atualmente na graduação em Ciência da Computação com expectativa de caminhar ao lado do pai rumo, quem sabe, ao primeiro unicórnio da Amazônia – ou seja, uma startup de US$ 1 bilhão.
No momento, as esperanças estão na Eterna Biotech, criada em parceria com a equipe de Spartaco Astolfi, professor aposentado da Ufam, referência nacional na área biotecnológica. A ambição é disruptiva: descobrir a fonte da eterna juventude. Com R$ 2 milhões de um grupo de investidores, os pesquisadores investigam caminhos de retardar o envelhecimento das células por meio de ferramentas genéticas.
O negócio tem potencial de decolar diante dos indicadores demográficos que retratam o aumento da população idosa no mundo e no Brasil. “A ideia é viver mais e melhor, com possibilidade de novas terapias, inclusive na cura da doença de Alzheimer”, revela Moura.
Segundo ele, modelos computacionais e avanços da IA “vão gerar entendimento sobre os mecanismos da vida como nunca antes na humanidade, e não queremos ficar fora desta festa”. Frente a isso, alunos de doutorado que poderiam estar nas melhores universidades no exterior optaram por ficar em Manaus e fazer parte do momento, como no caso de José Mateus Rodrigues, integrante da Eterna. Outros dois talentos – Whendel do Nascimento e Roberto Filho – também apostam na sociedade com os professores com faro no mundo “bio”.
Com o potencial de novas conexões entre alunos do Icomp e o mercado, o professor reduziu a carga horária em sala de aula para exercer funções como diretor da Jusbrasil, sem sair da universidade. “Se investirmos na educação, o empreendedorismo vem junto”, analisa Moura, ao lembrar que os resultados se multiplicam também no cenário indígena. Ele reforça que não há lugar no interior da Amazônia onde não existam exemplos fora da curva – mas os talentos precisam ser reconhecidos e valorizados.
“Se falar inglês e tiver conhecimento em computação, por meio do trabalho remoto poderão ganhar três vezes mais em relação ao emprego no Polo Industrial de Manaus”, completa Moura. O professor tem meta de ajudar na criação de 10 mil empregos de tecnologia na capital, onde a IA bate à porta com potencial de criar na Amazônia um polo de referência global.
*Do Projeto Ybyá – Rios do Conhecimento
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