História
Tabatinga: conheça a história do município na tríplice fronteira
*Da Redação | Fotos: Divulgação

Localizada no Alto Solimões, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, Tabatinga tem sua formação histórica ligada à ocupação da Amazônia, à defesa territorial e à convivência entre diferentes povos e culturas.
Segundo a Prefeitura de Tabatinga, os primeiros registros relacionados à ocupação da região remontam a meados do século XVII, quando há referência à existência de uma aldeia fundada por jesuítas nas proximidades do rio Solimões. Mais tarde, a posição estratégica da área ganhou importância por estar situada em uma região de fronteira.
Em 1766 foram estabelecidos um posto militar e um posto fiscal. O responsável pela implantação do posto militar foi Fernando da Costa Ataíde Teive, que também organizou uma estrutura de guarda na fronteira entre os domínios dos reinos de Portugal e Espanha.
A partir dessa presença, formou-se a povoação de São Francisco Xavier de Tabatinga. Entre as povoações fronteiriças de São Francisco Xavier de Tabatinga, Vila Ipiranga e Vila Bittencourt, Tabatinga foi a que apresentou maior desenvolvimento.
Outro momento importante ocorreu em 28 de junho de 1866, quando foi fixado nas proximidades da povoação o marco de limites entre Brasil e Peru. Naquele período, a região pertencia ao município de São Paulo de Olivença.
A organização administrativa voltou a mudar em 1898. Com o desmembramento do território de São Paulo de Olivença e a emancipação de Benjamin Constant, Tabatinga passou a integrar o novo município como subdistrito do distrito-sede.
Décadas depois, em 4 de junho de 1968, a Lei Federal nº 5.449 classificou Benjamin Constant como Área de Segurança Nacional. Segundo o histórico da Prefeitura de Tabatinga, a localidade permaneceu como subdistrito de Benjamin Constant até conquistar sua autonomia política.
A emancipação ocorreu em 10 de dezembro de 1981, por meio da Emenda Constitucional do Amazonas nº 12, que transformou Tabatinga em município autônomo. De acordo com a Prefeitura, a instalação do município ocorreu em 1º de janeiro de 1983.
O Portal Amazônia também registra a formação histórica de Tabatinga a partir da povoação de São Francisco Xavier de Tabatinga. Em reportagem publicada em junho de 2021, com informações atribuídas ao IBGE Cidades, o portal destaca a atuação de Fernando da Costa Ataíde Teive na implantação de um destacamento militar e de uma estrutura de guarda de fronteira entre os domínios portugueses e espanhóis.
Fronteira influencia cultura e cotidiano
A localização geográfica contribuiu para uma identidade cultural marcada pela convivência entre brasileiros, colombianos, peruanos e povos indígenas. Essa diversidade aparece na gastronomia, na música, nas manifestações culturais e no cotidiano da população.
Ritmos como vallenato, cúmbia, reggaeton, bachata, pagode, forró, MPB e música eletrônica fazem parte do cenário musical encontrado na região. A gastronomia também reflete a proximidade entre os três países, com pratos como cebiche, arepa e feijoada.
O município também possui opções de esporte e lazer. Entre as modalidades praticadas estão motocross, bicicross, canoagem rústica, parkour e corridas de orientação.
A relação com os rios e a floresta é outro elemento presente no cotidiano local. Durante a vazante do rio Solimões, surgem praias utilizadas para lazer. A pesca também integra as atividades realizadas no rio, onde é possível observar botos e o pôr do sol.
Na região do bairro da Comara, nas proximidades do aeroporto internacional, há vista para o rio e para as florestas do território peruano. A área também dá acesso às comunidades indígenas Umariaçu I e Umariaçu II, da etnia Ticuna.
Festas reforçam integração cultural
O calendário cultural de Tabatinga reúne festas populares, eventos cívicos e manifestações relacionadas à identidade da tríplice fronteira.
Entre as celebrações estão o Réveillon, o Carnaval, as festas juninas e as comemorações cívicas. A proximidade com a Colômbia também faz com que datas relacionadas ao país vizinho estejam presentes no cotidiano da região.
Um dos eventos ligados à integração fronteiriça é o Festival da Confraternidade, realizado na cidade colombiana de Leticia. A programação reúne representações do Brasil, da Colômbia e do Peru, com apresentações culturais, gastronomia e outras manifestações características de cada país.
Outro destaque é o Festival das Tribos do Alto Solimões (Festisol), marcado pela disputa cultural entre a Onça-Preta, representada pela cor azul, e a Onça-Pintada, identificada pela cor vermelha.
As apresentações acontecem no chamado “onçódromo”, onde as agremiações apresentam alegorias, coreografias e performances das torcidas diante dos julgadores. A manifestação guarda semelhanças com a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, realizada em Parintins.
Além dos registros históricos, a trajetória cultural do município também foi objeto de pesquisa acadêmica. Conforme reportagem do Portal Amazônia publicada em 7 de junho de 2021, um projeto de extensão do Centro de Estudos Superiores de Tabatinga, da Universidade do Estado do Amazonas (CESTB/UEA), desenvolveu material sobre a história e a cultura local destinado à comunidade escolar.
Segundo o Portal Amazônia, o trabalho utilizou descrições e iconografias presentes em obras de viajantes e militares que estiveram na região durante o século XIX e a primeira metade do século XX. A iniciativa contou com apoio do Núcleo de Estudos Socioambientais da Amazônia (NESAM) e da Prefeitura de Tabatinga, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed).
Da antiga povoação formada em uma área estratégica da Amazônia ao município instalado em 1983, Tabatinga construiu uma trajetória diretamente relacionada à fronteira. A presença de diferentes povos e as relações com Colômbia e Peru continuam sendo elementos importantes de sua história e identidade cultural.
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