Biografia
Entre cachoeiras e passarelas: a trajetória da figueiredense Celena Evangelista
Por: Sophia Guimarães | Foto: Arquivo Pessoal

Aos 20 anos, Celena Lima Evangelista não é apenas uma jovem figueiredense que desponta no mundo da moda. Ela é o reflexo de uma geração que encontra nas próprias raízes a força para se reinventar. Nascida em Presidente Figueiredo (AM), sua história tem início em meio à natureza exuberante da região, entre cachoeiras escondidas, campos de futebol comunitários e festas típicas que marcaram sua infância no km 13 da AM-240, em Balbina.
Celena viveu uma infância participativa, livre e profundamente conectada com sua comunidade e com sua família. Estudiosa desde pequena, sempre conciliou os momentos de lazer, como jogos de bola e banhos nas cachoeiras, com um amor genuíno pelos estudos.
Com desempenho escolar acima da média, foi destaque na Escola Municipal Ministro Marcos Freire, onde chegou a pular uma série. A dedicação a levou direto para o ensino médio no Instituto Federal do Amazonas (Ifam), conquistando a vaga como primeira colocada da ampla concorrência – e ali, mais uma vez, se destacou entre os melhores alunos da turma, participando de projetos de extensão em diversas áreas, do futsal à biologia.
Mas foi já na juventude que um novo universo começou a se desenhar: o da moda. Embora sempre gostasse de fotos e vídeos, a estética nunca foi uma prioridade. “Eu era aquela adolescente que só pensava em estudar e jogar bola. Nunca tinha usado salto ou maquiagem. Foi no concurso que tudo mudou”, relembra. A decisão de concorrer ao título de Rainha do Cupuaçu – concurso tradicional do município – foi o ponto de virada. “Me vi empolgada, me redescobrindo mulher, aprendendo algo completamente novo e me apaixonando por isso”.
A oportunidade veio de maneira inusitada, durante um dia comum de lazer em uma das muitas cachoeiras de Balbina. Uma pessoa a abordou e lhe fez um convite que, embora inesperado, pareceu alinhado com o destino. “Desde criança eu dizia que queria participar do concurso, mas nunca me achava à altura. Quando fui incentivada por alguém que acreditou em mim, agarrei a chance como se fosse a realização de um pedido antigo que Deus resolveu atender”.

A preparação para o concurso foi intensa e transformadora. Entre treinamentos, ensaios, provas de figurino e apoio dos patrocinadores, Celena mergulhou em uma nova rotina que exigia disciplina, coragem e vulnerabilidade. “Foi tudo novo pra mim. Mas o mais marcante foram as pessoas. O reconhecimento que recebi – de amigos, conhecidos e até de gente que nem sei o nome – foi emocionante. Ver as pessoas me pararem na rua para elogiar foi surreal”.
Entre suas inspirações, ela cita nomes como Gisele Bündchen, a quem já foi comparada diversas vezes. Mas são as referências locais que lhe tocam mais profundamente. “A Sasha deixou um legado que até hoje me inspira. Torci por ela como torci pela Deily Veras e pela Ester Morais. Eram mulheres com beleza, desenvoltura e, acima de tudo, humildade.”
Celena entende a moda como uma linguagem – uma forma de comunicar essência, identidade e cultura. “Quero ser autêntica, mostrar de onde eu vim, representar a minha verdade. A moda, pra mim, é sobre autoaceitação, diversidade e poder pessoal. Muito mais do que aparência ou roupa”.
Esse desejo de representar vai além das passarelas. Estudante de licenciatura em Educação Física, ela sonha também com a docência. “Quero ser professora, desde criança brinco disso. Dava aula pros meus primos na biblioteca que criei em casa. Ser professora é um ato de amor, de transformação social”. Paralelamente, também alimenta o plano de cursar Ciência da Computação. “O mundo está em constante mudança. Se a gente não se adapta, fica pra trás. Quero estar em evolução constante.”
Questionada sobre a pressão estética nas redes sociais e no mundo da moda, Celena responde com maturidade e humor. “Já me afetou, sim. Mas hoje entendo que críticas maldosas dizem mais sobre quem fala do que sobre mim. Crítica construtiva a gente aproveita. O resto, ignora. Eu costumo dar risada. Às vezes até concordo! Mas nunca é alguém que tenha feito algo relevante”.
Para os jovens que sonham em entrar no mundo da moda, ela deixa um conselho direto: “Tenha coragem. Supere a si mesmo. Tente. Um ‘não’ você já tem. Mas um ‘sim’ pode mudar sua vida”.
E nos próximos cinco anos? Celena se vê atuando tanto como modelo quanto como professora formada, com especialização e, quem sabe, cursando uma segunda graduação. “Só não quero estar parada. Tenho medo de viver sem história pra contar.”
No fim, tudo o que Celena busca é deixar um legado de autenticidade, coragem e perseverança. “Quero que minha história inspire outras pessoas a acreditarem nos próprios sonhos. Com esforço, dedicação e fé, tudo é possível. Valorize quem está contigo e não se deixe abater. No fim das contas, é isso que conta.”
*Do Projeto Jovens Comunicadores de Presidente Figueiredo
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