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Conheça Kamaxu: o anônimo compositor de marchinhas de sucesso em Parintins

Por Carlos Alexandre |
Fotos: Carlos Alexandre |

Letras irreverentes, homenagens, alegria, histórias e um ritmo contagiante. A marchinha é a trilha sonora de um dos maiores eventos culturais da cidade de Parintins, o Carnaval. A junção dos grandes bailes carnavalescos, blocos de rua, escola de samba e a criatividade do artista local batizaram a folia de momo de Carnailha. Por trás de toda a descontração do período, está um homem pouco conhecido do folião, quase um desconhecido, anônimo, mas de obras que são cantadas por todos. Estamos falando de Roberto Sales Viana, 61, o Kamaxu, o compositor da alegria na Ilha Tupinambarana.

O poeta popular é chamado de Kamaxu, desde 1995, quando escreveu uma toada para o boi Garantido com um nome que significa no dialeto do povo indígena Hexkariana, o cigarro do Pajé. A nomenclatura não foi entendida pelo parceiro de composição da época, Bené Siqueira, que passou a chama-lo de Kamaxu. Mas foi com a marchinha de carnaval que ele se identificou e suas primeiras obras já marcaram o Carnailha.

“Eu fiz a primeira marchinha que foi aquela do Dicoloi, que fez o maior sucesso. Foi uma brincadeira que deu certo e outras agremiações gostaram do trabalho, acabei me especializando no Carnaval e abandonei o boi-bumbá”, conta.

Kamaxu consegue produzir uma composição em até quatro dias, após receber as pesquisas dos blocos e a sinopse do tema, ele começa a produção.

“A agremiação traz o histórico, aquilo que ela quer, o enredo, a gente estuda, lê e ai a gente vai poetizar e musicar para fazer o enredo”, revela o poeta que já fez músicas para os carnavais dos municípios de Óbidos, Oriximiná, Terra Santa e Santarém no estado do Pará.

Uma das marchinhas mais famosas do Carnailha presta homenagem ao ex-prefeito, ex-deputado estadual, apresentador de um dos programas mais famosos do rádio na região, o saudoso Enéas Gonçalves. Ela é de autoria de Kamaxu em parceria com Paulinho Du Sagrado.

Ao ser questionado sobre o segredo do sucesso e o casamento exato entre letra e melodia para se ter uma canção que caia na boca do povo.

“Isso aí eu não tenho como explicar, é um dom que Deus dá, não é que a gente queira, não é senta ali e faz, não. É uma inspiração que muitas vezes a gente não sabe nem explicar direito”, ressalta.

Paulinho Du Sagrado compositor consagrado do Festival de Parintins, é um dos parceiros de marchinha de Kamaxu. Ele conta que a parceria começou a partir de uma crise da falta de títulos do bloco Chitara da Chapada e por não ter familiaridade com o gênero musical, ele chama o amigo que juntos criaram a marchinha mais cantada da história do Carnaval, a marchinha Conselhos do Enéas.

Mas, nem tudo é alegria, sorrisos e festa. Kamaxu não é famoso no carnaval, suas músicas alegraram as pessoas, divertiram foliões, mas ele é mantido no anonimato, durante a pandemia da covid-19 ele morou em um quarto alugado no bairro Itaúna II, atualmente está residindo na comunidade do Macurani, nas margens do rio que leva o mesmo nome. Em alguns casos ele não recebeu os direitos autorias por suas composições, mas quando chega o carnaval ele faz tudo de novo com a mesma intensidade de sempre.

“Eu sou um cara humilde e aquela humildade que Deus colocou no meu coração, já diz tudo, se o parceiro quiser me valorizar, se ele não quiser, só entrego nas mãos de Deus. Isso não me fere, não sinto magoa de ninguém, já roubaram até música de mim, ganharam dinheiro pra lá e mandaram eu ir pra justiça. Eu acredito que a humildade é que vale mais, eu faço mais porque eu sou apaixonado pela cultura, não é visando lucro”, destaca o homem que escreveu marchinhas para todos os blocos de Parintins.

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