Cidades
Conheça a história da Vila de Balbina em Presidente Figueiredo
Por Sophia Guimarães | Fotos: Divulgação

Localizada às margens do rio Uatumã, no município de Presidente Figueiredo, a Vila de Balbina carrega uma história diretamente ligada a um dos empreendimentos mais controversos da Amazônia: a Usina Hidrelétrica de Balbina.
O que começou como um núcleo provisório de apoio à obra transformou-se, ao longo das décadas, em uma comunidade consolidada, marcada por desafios socioambientais e laços comunitários fortes.
A vila surgiu nos anos 1980, no contexto da construção da hidrelétrica, iniciada na década anterior. O projeto, que previa geração de energia para a capital Manaus, provocou um dos maiores alagamentos artificiais do país, alterando profundamente a paisagem local. Para abrigar operários, técnicos e suas famílias, foi criado o conjunto urbano que mais tarde se tornaria a Vila de Balbina.
Concluída a obra, muitos moradores permaneceram. As casas que antes serviam como alojamentos passaram a abrigar de forma definitiva famílias que decidiram fincar raízes ali. Ao longo do tempo, Balbina ganhou escola, pequenos comércios, igreja, áreas de lazer e uma rotina marcada pela convivência próxima entre os moradores.
Contudo, o desenvolvimento da vila não seguiu o ritmo do empreendimento que a originou. Mesmo com a presença da hidrelétrica, a comunidade enfrentou — e ainda enfrenta — limitações estruturais, como carência de serviços públicos, dificuldades de mobilidade e acesso restrito a oportunidades de emprego. Para muitos residentes, a economia local baseia-se em pequenos negócios, empregos públicos e atividades ligadas à pesca e ao turismo regional.
Os impactos ambientais deixados pela construção da usina também moldaram o cotidiano da vila. A formação do lago alterou o ecossistema do Uatumã, afetando a pesca tradicional e a biodiversidade da região. A convivência com o grande espelho d’água, hoje um dos cartões-postais da localidade, traz beleza cênica, mas também recorda as transformações que deslocaram famílias e modificaram práticas culturais.
Apesar das controvérsias, Balbina consolidou-se como uma comunidade de forte identidade. A tranquilidade do ambiente, a proximidade com a floresta e o clima interiorano atraem visitantes e fortalecem o sentimento de pertencimento de quem vive ali. Festas religiosas, eventos escolares e atividades promovidas pela comunidade ajudam a manter vivo o tecido social.
Quarenta anos após sua origem, a Vila de Balbina segue equilibrando passado e presente, natureza e memória. Entre desafios e potenciais, o distrito mostra que, mesmo nascido de um projeto marcado por críticas, é possível construir uma vida coletiva baseada na resiliência e na continuidade das relações humanas.
*Do Projeto Jovens Comunicadores de Presidente
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