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Conheça a história de Miguel Carneiro: o mestre que prepara artistas para o futuro

Por Carlos Alexandre |
Fotos: Divulgação Projeto Ártrua |

Quando Hans Donner, um dos maiores designers do Brasil, conheceu o Festival Folclórico de Parintins, em 1997, ficou impressionado com o talento dos artistas plásticos da cidade. Na época ele declarou que Parintins tinha “artista por metro quadrado”, evidenciando a magnitude das apresentações dos bois Caprichoso e Garantido, fruto dos ensinamentos do missionário italiano Irmão Miguel de Pascalle (que levou os primeiros ensinamentos sobre belas artes aos artistas de Parintins) e do mestre Jair Mendes (que criou os movimentos alegóricos).

De lá pra cá muita coisa mudou. Os artistas locais ganharam expressão nacional com fama nos desfiles dos principais carnavais do Brasi e exportando o talento e a criatividade cabocla para o mundo, entretanto, Parintins deixou de pensar em formar talentos do futuro e é aí que entra um dos artistas que desistiu dos barracões, dos galpões de alegorias e fantasias para se dedicar a formar os artesãos do futuro: Miguel Carneiro dos Santos, 43, artista plástico, professor e arte educador.

De uma família de artistas plásticos, Miguel começou a pintar aos 15 anos. Teve como mestre irmão Miguel de Pascalle, suas inspirações eram as pinturas feitas na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, numa época em que o Festival de Parintins ainda não tinha toda essa notoriedade. “Meu pai me levava para a Catedral para participar de alguns trabalhos que ele fazia lá. Eram coisas artesanais, uns desenhos feitos ainda com pena”, lembra.

Coletivo Ártrua

Com toda a sua experiência nos bumbás de Parintins e no Carnaval, Miguel Carneiro resolveu apostar nos talentos do futuro e preparar a base, antes formada pelos próprios bumbás nas escolas de arte, mas hoje estão de portas fechadas. Sua inquietação já existia desde a época de faculdade, quando idealizou o projeto que veio em 2016 ganhar o nome de Ártrua (Art de Rua) que reúne estudantes das escolas da rede pública de ensino. “Eu percebi que os muros do Colégio Batista (escola que abriga o projeto) eram muito pichados e, na época, peguei os alunos do Colégio e a gente pintou o muro para provar para a própria escola que a gente poderia usar os próprios alunos para transformá-los em cidadãos a partir da pintura”, afirmou.

Os primeiros resultados desse trabalho já ocorrem nos concursos de pintura e desenho promovidos pelo projeto, na ornamentação de eventos como o Festival das Pastorinhas de Parintins, onde os adolescentes ganham maturidade como trabalhadores da arte. Mais de 250 alunos já passaram pelo coletivo que começou com as oficinas de desenho, pintura agora conta com as oficinas de modelagem, escultura, cerâmica e grafite. “Temos uma geração que está sendo preparada para tomar conta dos nossos grandes eventos, mas impomos a condição de estar estudando. Com a ampliação das oficinas pretendemos incentivar a maior participação de jovens artistas”, concluiu.

Arte como terapia

O trabalho de Miguel Carneiro não tem apenas preparado os estudantes para o mundo da arte, mas tem ajudado a salvar vidas. Dois anos após a pandemia da covid-19 os jovens e adolescentes foram muito atingidos por doenças psicológicas. Ana Flávia de Assis Ferreira, 15, encontrou no projeto Ártrua, no desenho e na pintura, uma forma de lutar contra a depressão.

Luanne Maria Teixeira Ferreira, 15, está há dois anos no projeto. Ela participou da construção do letreiro da cidade, dos murais espalhados pela Ilha de Parintins e, mais recente, atuou na construção do presépio que se tornou o cenário para a live do Festival das Pastorinhas. Ela também encontrou no projeto uma forma de vencer seus medos. “Eu acho muito terapêutico, pintar, desenhar, nos ajuda muito a melhorar nossa relação com as pessoas”.

O coletivo Ártrua funciona no laboratório de artes visuais do Colégio Batista de Parintins, atualmente conta com o apoio dos pais dos estudantes e também está nas redes sociais como Coletivo Ártrua.

 

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