
Conheça o artista parintinense que venceu o preconceito, a indiferença e o Carnaval do Rio de Janeiro
Por Carlos Alexandre |
Foto: Reprodução Instagram |
De voz mansa, sorriso fácil, Algles José dos Santos Ferreira, 42 anos, é um cara simples que celebra suas vitórias e não deixa a vaidade se sobressair a humildade. A história dele começa em 2004 na escola de samba Tradição e ao longo dos últimos anos, tem aprimorado sua experiência e se revelando pé quente.
“Fui campeão, em 2018, com a Beija Flor”, lembra.
O operário da arte, passou pelas escolas Tradição, Imperatriz Leopoldinense, Grande Rio, Tijuca, União da Ilha e Salgueiro. No carnaval deste ano, Algles desenvolveu peças com movimentos e bonecos articulados para Mangueira e Imperatriz Leopoldinense. Ele trabalha com uma equipe de dez parintinenses entre escultores, ferreiros, ferreiros de estrutura pesada e ferreiros de movimentos.
Após 22 anos de jejum, Imperatriz Leopoldinense voltou a comemorar um título na Marquês de Sapucaí, após o desfile que tinha como tema “A peleja de Lampião com Satanás e São Pedro, após a sua morte”. Além disso, a escola recebeu nota dez de todos os jurados no quesito alegoria e adereços, sendo que Algles, ainda foi eleito como o melhor escultor no prêmio plumas e paetês.
“O meu sentimento é de dever cumprido. Fui premiado como melhor escultor, não é fácil você vir do interior da Amazônia, trabalhar no carnaval, ganhar espaço, notoriedade, ser reconhecido e ser respeitado e ainda ser premiado imagina minha alegria, estou muito feliz”, afirmou o artista.
Algles foi liderado pelo carnavalesco Leandro Vieira com quem gostou de trabalhar.
“Ele é muito exigente na qualidade de trabalho e nós caprichamos mesmo em cada detalhe”, lembra.
Para conquistar esse momento especial em sua vida, o artista, que já foi campeão pela Beija Flor em 2018, assegura que começo foi difícil.
“Não é fácil conquistar espaço no meio de grandes profissionais do Carnaval. Sei o quanto é difícil conquistar credibilidade artística com presidentes e carnavalescos, até, muitas vezes, sofrendo preconceito por ser do norte ou por ser indígena, mas é essa herança que nos trouxe até aqui”, exalta.
O artista passou seis meses longe de casa, agora deve tirar um período de descanso e no mês de março se apresenta ao Boi Caprichoso, pois é um dos principais nomes do Festival Folclórico de Parintins.
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